Epilepsia: conceitos e factos curiosos

02/02/2021

É uma doença caracterizada pela alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, de forma recorrente, separadas por um intervalo maior a 24 horas, de início repentino e imprevisível, que dura entre breves segundos a minutos. A mesma pode ser focal, quando restrita a um local no cérebro ou generalizadas quando acomete as duas partes do cérebro.

É errado chamar de doença de gota. Gota é outra doença e é caracterizada pelo aumento do ácido úrico.

As crises podem acontecer em qualquer idade?

Sim, as crises podem acontecer em qualquer idade, são mais frequentes nas idades extremas (crianças e velhinhos). Existem formas familiares mas na grande maioria não encontramos relação com antecedentes familiares.

A causa é desconhecida na maioria das vezes, mas pode ser consequência de situações não muito boas para o bebé durante o parto em que nasce um bebé deprimido, que não chora, traumas da cabeça, recentes ou não com perda de consciência principalmente.

Uso abusivo de bebidas alcoólica e drogas, tumores cerebrais, AVC e infecções do sistema nervoso central.

A epilepsia é uma doença contagiosa?

Não, não é uma doença contagiosa. Podemos tocar sem problema um doente em crise.

Sintomas

Os sinais e sintomas são muito variáveis. Por exemplo nas crises de ausência infantil, a pessoa apenas apresenta-se “parada” por alguns instantes, com o olhar fixo e retoma a sua actividade como se nada tivesse acontecido. Nas crises focais, o doente pode perceber que vai ter a crise, experimentar um medo repentino, sensação estranha no estómago, dor de cabeça, formigueiro que inicia nos pés e vai subindo, sede, ver, ouvir ou falar de forma diferente, andar aos círculos, ter a sensação de ter estado naquele lugar (quando lugar desconhecido) ou vice versa. Pode perder a consciência e em seguida apresentar abalos tónico-clónicas (corpo duro e tremor violento das extremidades com contracções bruscas), virar os olhos e a cabeça para um dos lados, ter queda ao solo, saída de saliva, urinar ou defecar, os movimentos começam em uma parte do corpo. Nas generalizadas, os movimentos involuntários começam simultaneamente nos dois lados e há perda de consciência. Existem muitos outros tipos de crises.

Após a crise, o doente sente-se cansado, confuso, não lembra o que aconteceu muitas, queixa-se de dor de cabeça e quer dormir.

Se a crise durar mais do que 5 minutos ou não houver recuperação da consciência entre as crises, procure ajuda médica, pois podem ser perigosas, podendo prejudicar as funções cerebrais de forma permanente.

Diagnóstico

É feito com o exame de electroencefalograma (EEG) e neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio). O facto dos exames estarem normais, não significa que a pessoa não seja doente. Fazer vídeos do indivíduo enquanto está em crise ajuda bastante o médico neurologista para melhor conduta. É sempre importante, quem tenha assistido a crise acompanhar o doente ao médico.

Tratamento e cura

Não fique em casa, procure ajuda, é uma doença que tem tratamento e cura. Alguns doentes, após vários anos (3-5 anos) sem crises epilépticas, é-lhes retirada a medicação e muitos ficam livres para sempre, podendo ser considerados de curados.

Hoje, existem vários medicamentos eficazes, disponíveis e os neurologistas sabem manuseá-los. Não há restrições alimentares na maioria das epilepsias, em algumas situações é recomendada um tipo de dieta, feita sob orientação médica profissional.

As pessoas com epilepsia merecem ajuda de um profissional competente e merecem levar uma vida normal (estudar ou trabalhar).

Recomendações

Evitar bebidas alcoólicas, não perder noites, ter uma dieta balanceada, evitar estresses desnecessários, evitar “jogo” de luzes de discotecas, use videogames com moderação e evitar se a crise for fotossensível. Faça exercício físico regular já que ajuda a diminuir a ocorrência de crises.

O que fazer em caso de crises epilépticas?

Acomodar, afastar as coisas que machucam, afrouxar as roupas (gravatas, botões e cintos), não coloque os dedos ou colher à boca do doente (poderá morder-te ou partir os dentes). Não dê líquidos ou algo a cheirar durante a crise epiléptica. Coloque uma almofada e vire a cabeça para lateral. Normalmente as crises duram menos de 2 minutos e não há necessidade de acorrer ao hospital. Portanto, se a crise durar menos de 5 minutos, em alguém com histórico de crises, não é necessário chamar um médico. Se for a primeira crise na vida, vá ao médico.

Após a crise terminar, oriente e acalme o doente, pois poderá estar assustado e confuso.

 

Artigo de: Dr. João Adilson Gama Ricardo, Médico Neurologista